segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Pré-lançamento - Editora Sulina


Além de estar inserida e conformada a uma nova economia (em que estão presentes novas formas de consumo, o fetiche, a moda etc.), a urbanidade do século XIX é extremamente marcada pela relação com a tecnologia. A técnica é um dos instrumentos que o cidadão usa para olhar e conceber modernamente o mundo ao seu redor. O cidadão fascina-se pela Máquina, fetichizando-a (como com a cidade) e transformando-a em índice do progresso e imagem máxima do novo.
Se a cidade moderna é o espaço onde atuam as paixões metropolitanas, os aparatos tecnológicos e as máquinas estabelecem uma espécie de percepção temporal para os sujeitos modernos. Como se a velocidade dos novos meios de transporte ou dos motores das fábricas traduzisse o avanço e a rapidez da cultura dessa época. Símbolos de uma nova era, provas e portas de acesso ao progresso da humanidade, as máquinas também dão uma ideia de centralidade e controle, assim como a metrópole.
A tecnologia diminui distâncias e tempos, faz a diferença mais próxima, define e redefine, para o cidadão, novos cenários a cada instante. Para o sujeito cosmopolita, especialmente, ela é quase tão importante quanto a metrópole, pois ela representa grande parte do repertório que o distingue de um provinciano. Contudo, não apenas um cego otimismo e a confiança absoluta no progresso predominam nessa relação. Pelo contrário, já que, para a grande maioria dos pensadores europeus a partir da metade do século XIX, progresso e decadência caminham lado a lado, e esses dois conceitos estão claramente vinculados à noção de técnica

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